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sábado, 26 de maio de 2012

Delegado Rafael Vianna profere palestra sobre carreira policial na Universidade Positivo e reflete sobre as últimas notícias da Polícia Civil


Durante o I Encontro de Encaminhamento Profissional promovido pelo Centro Acadêmico Ubaldino do Amaral, da Faculdade de Direito da Universidade Positivo, proferi uma palestra sobre a carreira policial, suas dificuldades, realizações e possibilidades. (http://www.cauaup.com.br/)
E hoje, diante de notícias e denúncias sobre desvios na Polícia Civil, não posso deixar de trazer algumas reflexões que estão sendo deixadas de lado. 
Gosto da carreira policial, apesar de não ser classista ou corporativista. Quem já leu meu livro, minhas colunas ou qualquer artigo que escrevi, sabe como trato de forma direta e objetiva os problemas que existem na polícia, suas agruras e dificuldades.
No entanto, quando apenas um lado começa a ser mostrado, quando pessoas que sempre estiveram prontas para atender um chamado (não importando o horário, o dia da semana ou o expediente que precisavam cumprir) começam a ser ameaçadas e crucificadas, precisamos refletir com maior cuidado.
Para isso, deixo o início da palestra proferida na Universidade Positivo, bem como dois artigos que demonstram um pouco a admiração que sinto por todos os bons policiais, sejam eles Delegados de Polícia, Investigadores, Escrivães, Agentes de Operações, Papiloscopistas, Policiais Militares, Policiais Federais ou Guardas Municipais.

PARA SER POLICIAL - palestra Rafael F. Vianna na Universidade Positivo
"Para ser policial você precisa ser curioso! Porque ser policial é filosofia, é dúvida, são certezas, reflexões, é medo, coragem, alegrias e tristezas. Ser policial é lutar pela justiça e se indignar com as injustiças, é aprender e se surpreender todos os dias; é conhecer o que há de pior e de melhor no ser humano.
Ser policial é se ver todos os dias diante de conflitos de deveres, é se defrontar com questões existenciais, é pensar e duvidar que alguma justiça é possível, é chorar diante da escolha do mal menor.
Ser policial não é apenas prender o homem mau, ainda que o seja, mas é aprender que nem sempre se prende o homem mau. 
Ser policial é se chocar com a tragédia humana e aprender que a segurança pública é uma das áreas mais complexas do conhecimento. Ser policial é resistir(...)"   

Desejo sinceramente que os bons policiais resistam, que a Polícia Civil resista, que não generalizem, não confundam, não cometam injustiças. Que tudo isso não sirva para desejos ou vinganças pessoais, mas que no final tenhamos uma sociedade mais próxima da polícia, para que todos possam refletir sobre os problemas e as possíveis soluções para a segurança pública. Não encontramos a origem de todo mal no mundo.
Ficam dois textos antigos para também refletirmos.

PAUSA PARA UMA JUSTA HOMENAGEM: AOS BONS POLICIAIS
Hoje me permito uma pausa nas dicas sobre como melhorar sua segurança para homenagear os bons policiais.
Tomei esta decisão hoje, domingo, dia em que costumo escrever minha coluna que é publicada na terça-feira, após trabalhar o dia inteiro ao lado de bons policiais. O hoje que digo, diga-se, na verdade é ontem, pois cheguei em casa apenas agora, 04 horas da madrugada de domingo para segunda. Ao meu lado, o dia inteiro, estiveram bons homens e grandes policiais. Outros tantos não estiveram hoje, mas em tantas outras oportunidades. Também é para eles que escrevo.
Observe-se que não pretendo com este artigo despertar pena ou compaixão de meus leitores, pois, além de não combinar comigo, nada mudará em minha vida ou na vida destes grandes homens. Escrevo para homenagear e agradecer, em nome de todos os cidadãos, pois me incluo entre eles, os grandes policiais que conheci.
Como já falei em diversas entrevistas, sempre existirão profissionais ruins na área de segurança pública, como em qualquer profissão, mas eles são, e sempre serão, a minoria.
A homenagem é justa e necessária, pois a grande maioria das pessoas reconhece e aplaude ações específicas de tropas de elite e grupos especiais, mas esquece da importância dos policiais que estão nos Distritos/Delegacias ou que fazem o policiamento ostensivo básico.
São estes policiais os mais importantes para a segurança pública e, consequentemente, para a sociedade, pois são eles que conhecem a região, suas dificuldades e suas necessidades. São estes policiais que prestam o primeiro atendimento ao cidadão e são estes homens que tantas vezes resolvem problemas não relacionados diretamente com a segurança pública, orientando, auxiliando e encaminhando.
É este policial que não recebe a designação de “especial” o verdadeiro herói da segurança pública, pois trabalha com as dificuldades e perigos das situações mais corriqueiras e anormais, sem nunca saber o que lhe espera e o que enfrentará.
Ressalte-se que de forma alguma menosprezo ou diminuo os grupos ou tropas especiais, os quais tem qualidades e importância incomparável para situações específicas, mas enobreço a função do policial dito comum.
Estes bons policiais trabalham muito mais do que suas horas obrigatórias, se preocupam muito mais do que deveriam, arriscam suas vidas muito mais do que a prudência recomendaria. No entanto, apenas este policial sente o prazer de salvar uma vida, impedir uma injustiça ou fazer com que o algoz não consiga prevalecer sobre um pai de família. Não há recompensa maior.
Por fim, agradeço os grandes momentos, as risadas, as amarguras e decepções deste bom tempo como policial. Sem nomes, por falta de espaço e pelo risco da ausência, mas com satisfação de ter conhecido homens extraordinários, policiais civis e militares.

PAUSA PARA A DESPEDIDA: MUDANÇA DE EQUIPE NO DP DE ALTO MARACANÃ
Foi um ano de trabalho intenso e árduo na Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo. Bons momentos, muitas lembranças, algumas tristezas e decepções, mas muito aprendizado. Este pode ser o resumo pessoal que levo deste um ano. Uma nova equipe assumirá o DP Alto Maracanã esta semana, sendo que, desde já, deixo meus votos de boa sorte e bom trabalho.
Neste ano que estive como delegado titular do Alto Maracanã consegui realizar muito menos do que planejava, mas considero que algumas metas foram atingidas, ainda que longe do ideal para a população viver em segurança e tranquilidade. De qualquer forma, minha equipe realizou muito mais do que o possível, só me restando agradecer a boa vontade de todos os policiais que comigo trabalharam.
Ainda que enfadonho para alguns, volto a parabenizar e destacar o caráter e o esforço dos policiais civis que neste um ano estiveram comigo. No início era apenas um amigo, o delegado adjunto André, hoje juiz, mas que sempre me fez continuar. Ao longo do tempo, muitas amizades se formaram, tendo hoje grandes amigos: meu superintendente, os gordinhos, o pernambucano, os negões….
O que nos une é o que nos resta. E o que nos resta Vinícius de Morais? Resta essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido, essa tola capacidade de rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil e essa coragem de comprometer-se sem necessidade. Resta esse desejo de servir, essa contemporaneidade com o amanhã dos que não tem ontem nem hoje. Resta essa faculdade incoercível de sonhar, de transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como ela é. Resta, por fim, esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir.
Isso que nos une, bons amigos, também nos mata, um pouco a cada dia, sem que possamos perceber e nos livrar. Tudo que escrevo deveríamos seguir também. E quantas vezes, caros leitores, já não falei que segurança pública começa dentro de casa, com a proximidade com seus familiares, com conversas e confiança?
Pois é. Nós policiais não fazemos isso. Raramente temos tempo para nossas famílias e nos esquecemos de viver os bons momentos. Não deixem que isso aconteça com vocês bons policiais e amigos. Cuidem da saúde, da família, dos bons hábitos, das boas coisas da vida. Só assim vocês poderão servir por um longo tempo à sociedade. Difícil, eu sei. Mas devemos tentar. Apesar da aventura e prazer que é ser polícia.
Se valeu a pena? Sempre. Tenho certeza que não pudemos satisfazer e ajudar a todos, mas tentamos, com o que tínhamos de melhor. Não houve um só dia em que não estivemos na Delegacia, fosse sábado, domingo ou feriado, noite ou dia. Ajudamos muitos e tentamos sempre. Aprendemos a fazer o bem não pelo prazer da recompensa, mas pelo dever da consciência.
Como sempre falei para vocês: encontrei vários loucos que como eu não sabem o porquê servir, mas servem e riem. Valeu pelas risadas, pelas desventuras, pelos bons e maus momentos. Obrigado a todos que de alguma forma participaram disto. Comecemos em um novo lugar.

sábado, 19 de maio de 2012

Nova geração de Delegados é homenageada pela Assembleia Legislativa


A Assembleia Legislativa do Estado do Paraná homenageou, com o "Prêmio Personalidades Empreendedoras do Paraná 2012", pelos relevantes trabalhos prestados em prol da sociedade, os Delegados da Polícia Civil Rafael F. Vianna, Fábio Lopes Pereira e Guilherme Rangel de Mello Alberto. 
Os três Delegados são do concurso de 2007 e vêm desempenhando relevantes trabalhos na área da segurança pública.
Guilherme Rangel já foi titular do DP de Mangueirinha e do Núcleo da Região Metropolitana do Denarc (Divisão Estadual de Narcóticos), atuando hoje como Delegado Adjunto da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba (DFR).
Fábio Lopes Pereira foi Delegado Adjunto do 13º DP de Curitiba, do 7º DP de Curitiba e da Delegacia Móvel de Futebol e Eventos (DEMAFE), atuando hoje como Delegado Operacional da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba (DFR).
Rafael Vianna foi Delegado Titular da Delegacia de Polícia do Alto Maracanã/Colombo, Delegado Adjunto e Operacional da Delegacia de Homicídios de Curitiba (DH) e teve passagens pela Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC), pela Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba (DFR) e pelo Escritório de Projetos da SESP/PR. Atualmente Rafael Vianna é o Assessor Civil/Delegado-Chefe da Assessoria Civil da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná.
A nova geração de Delegados da Polícia Civil vem se destacando pelo comprometimento e por conseguir unir conhecimento jurídico e de gestão na área da segurança pública com a melhor técnica investigativa e operacional-policial.    

domingo, 13 de maio de 2012

Delegado Rafael Vianna discute a cultura da paz no Programa Cidadão de Verdade

O Delegado Rafael Vianna e o Advogado Maurício Dieter foram entrevistados por Ticiane Barbosa, no Programa Cidadão de Verdade da TV Lúmen.
Os estudiosos do direito penal, da violência, da criminalidade e da segurança pública discutiram sobre ética, cultura da paz, a necessidade de mudança dos valores sociais e a utilidade do comportamento solidário para a vida em sociedade.
O programa foi dividido em três blocos e pode ser assistido clicando nos vídeos ou nos links abaixo:
1º Bloco

2º Bloco

3º Bloco

http://youtu.be/HMTgwwLPtiU

sábado, 28 de abril de 2012

Rafael Vianna é o novo colunista do Jornal do Ônibus e do Correio Paranaense

O Delegado Rafael Vianna passou a integrar, neste mês de abril, a equipe do Jornal do Ônibus e do Correio Paranaense, tornando-se articulista da coluna sobre segurança pública nos dois jornais.
A coluna será semanal, com publicação todas às terças-feiras, e discutirá temas como sociedade, segurança pública, filosofia e a melhor maneira de viver. 
O Jornal do Ônibus de Curitiba tem uma tiragem de 30.000 exemplares diários,  sendo distribuído no centro e nos principais bairros e terminais de ônibus da cidade.
O Correio Paranaense tem uma tiragem diária de 15.000 exemplares, com circulação de segunda-feira a sábado. 
Os artigos publicados na coluna também podem ser lidos pela internet, através do site http://www.jornaldoonibusdecuritiba.com.br/



1º Artigo - Vamos refletir sobre a nossa sociedade e nossa vida
Coluna de 03/04/2012

Prezados leitores:
A vida tem sentido? E viver em sociedade? Será que existe alguma razão para aceitarmos viver desta maneira? Será mesmo que a vida “é apenas do jeito que é”? Será que devemos tão somente esperar os dias passarem para um dia a morte chegar?
Talvez seja só isso mesmo: esperar os dias passarem. Mas talvez pudéssemos transformar este tempo em algo melhor, transformar os dias em momentos melhores. Existir quem sabe seja isso.
É para dividir estas dúvidas com vocês que começo a escrever esta coluna. Sou muitas coisas, Delegado de Polícia Civil, atualmente Assessor Civil da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná, sou professor do Cursinho para concursos públicos e OAB Ordem Mais, sou escritor e autor do livro “Diálogos sobre segurança pública: o fim do estado civilizado”, sou professor da Escola Superior de Polícia Civil, sou Mestre em Ciências Jurídico-Criminais pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, sou e sou.
Sou? E daí? Ainda não consigo encontrar satisfação e por isso volto a escrever. Não me conformo com o mundo e com a sociedade do jeito que são, com as injustiças, com a ignorância, com a falta de tudo que não sabemos. Não posso acreditar que as pessoas se acostumem com o caos em que vivemos, com a ausência de sentido, de saber, de compreender o existir. Desejo que este espaço seja um lugar para refletirmos e buscarmos dias melhores.
Tenho um blog (www.delegadorafaelvianna.blogspot.com) onde busco dividir com alguns amigos as minhas dúvidas, reflexões e realizações. Gostaria, a partir de agora, de dividir com todos vocês, com mais gente. Acho que é por isso que aceitei esta coluna.

2º Artigo - Pergunte a você mesmo
Coluna de 10/04/2012

Prezados Leitores:
A estréia desta coluna no Jornal do Ônibus foi apenas para apresentações. Não alcançou o que eu realmente buscava. Quero é causar dúvida, espanto, reflexão.
Vivemos no caos! Isso é fato! Ou, ao menos, estamos no caminho certo para alcançá-lo. É apenas sorte você não morrer, não ser vítima de um roubo, não ser enganado por alguém, não ter câncer ou não ser atingido por uma catástrofe natural.
E aí? O que fazemos, então? Mudamos o mundo! E não pense que é preciso uma grande pessoa ou uma grande revolução para isso. Você mesmo pode mudar o seu mundo, a sua segurança, a sua rua, o seu bairro, o seu ônibus, o seu trabalho, o seu jeito de ver as coisas.
Comece hoje a mudar a sua vida e o seu mundo. Como? Vamos começar a entender o nosso mundo, a nossa sociedade, os nossos hábitos, os nossos erros. Tenho várias idéias e tentarei dividi-las com todos aqui. Não se trata de auto-ajuda, mas de ver o sentido das coisas, entender a razão de existir, enxergar as diversas possibilidades do mundo. Começo com alguns questionamentos:
- Você sabe o que é sociedade?
- Por que vivemos assim?
- Para que serve o Estado e a polícia?
- Por que crimes ocorrem?
- Será que podemos acabar com eles?
- Como não ser vítima da violência?
- Como dar sentido a sua vida?
- Como se transformar em uma pessoa melhor?
- Como não aceitar o caos e tudo que parece errado?
- Como começar?
Vamos conversar sobre isso. Sobre tudo o que faço.



domingo, 22 de abril de 2012

Delegado Rafael Vianna profere palestra sobre gestão de riscos na AMCHAM

O Delegado Rafael Vianna participou de evento promovido pelo Comitê de Legislação da Câmara de Comércio Brasil-EUA (AMCHAM Curitiba), no qual proferiu uma palestra sobre como evitar fraudes corporativas.
Apresentando as principais estratégias de prevenção às fraudes e aos crimes na área empresarial, Vianna teve a oportunidade de trocar experiências e informações com diversos empresários e associados da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, bem como com especialistas na área de gestão de risco.
Notícias sobre a prevenção de fraudes corporativas podem ser encontradas no site da AMCHAM:

Fraudes corporativas geram prejuízos em 34% das empresas no mundo, aponta pesquisa
Fonte: Amcham Curitiba
Ao menos 34% das empresas no mundo já foram alvo de fraudes corporativas e, dessas, mais da metade teve problemas do tipo envolvendo os próprios funcionários. Dados da pesquisa Global Economic Crime Survey 2011 mostram que uma em cada dez companhias que revelaram ter sido vítimas de fraudes sofreu prejuízos de mais de US$ 5 milhões.
As informações foram apresentadas durante o comitê de Legislação da Amcham-Curitiba na última quarta-feira (29/02). Jerri Ribeiro, sócio da PricewaterhouseCoopers na área de consultoria de Gestão de Negócios para a Região Sul do Brasil, demonstrou que as fraudes no País vêm crescendo também – e se aproximando da média mundial.
Ele diz que 33% das companhias brasileiras sofreram com crimes econômicos no último ano. “O percentual aumentou bastante em relação a 2009 e se aproxima do resultado global de 34%”, afirma.
A pesquisa mostrou que 56% das organizações no mundo apontaram que os casos mais sérios de fraudes foram cometidos internamente. O estudo destacou que roubo de ativos, crimes eletrônicos, corrupção e fraudes contábeis como as formas mais comuns de crimes econômicos apontados pelas empresas.
Gestão de risco
Auditoria interna, participação dos gestores na análise de riscos, monitoramento de transações suspeitas e conhecimento dos steakholders (clientes, parceiros, fornecedores e staff) são algumas estratégias apontadas por especialistas para a prevenção dessas fraudes.
De acordo com o delegado de Polícia Civil do Estado do Paraná, Rafael Vianna, que também participou do evento, conhecer os colaboradores da empresa é um passo essencial na gestão de riscos.
“Estratégias como cadastros de funcionários são importantes para garantir a segurança corporativa”, indicou Vianna.
Ele também alertou para a necessidade do conhecimento por parte das empresas dos riscos e dos tipos mais comuns de fraudes corporativas. Para Vianna, se a organização encontra-se informada, tem maiores chances de identificar alguma tentativa de golpe.
A informação também é ferramenta importante na avaliação de Ribeiro, o qual reconhece que as empresas brasileiras ainda caminham lentamente em busca da prevenção e do monitoramento de seus riscos.
“No Brasil, as empresas estão começando a ter maior consciência dos riscos de fraudes apenas agora. Em especial, as companhias de médio porte acabam não investindo em segurança corporativa por falta de informação e não pelo investimento demandado.”
Para os dois especialistas, o envolvimento do Conselho de Administração e dos líderes da empresa no combate a fraudes, assim como o gerenciamento de setores estratégicos, como o financeiro e o de tecnologia da informação, são outras importantes medidas para a prevenção.
“As empresas precisam estar alertas para detectar fraudes”, diz Vianna. Para Ribeiro, “no Brasil, por exemplo, o crime digital é a segunda fraude mais comum. Ainda assim, 64% das companhias afirmaram não estar atentas aos sites de mídia social.”

sábado, 7 de abril de 2012

Rafael Vianna apresenta sua teoria sobre o crime em Congresso nos Estados Unidos

O Delegado Rafael Vianna, membro da American Society of Criminology, apresentou sua teoria sobre o crime, desenvolvida em sua pesquisa de mestrado, no último encontro anual da Sociedade Americana de Criminologia, ocorrido no final do ano passado, em Washington D.C.


Em seus estudos, Rafael Vianna explica como o frágil vínculo social somado à oportunidade de delinquir podem explicar a criminalidade. Baseado em uma pesquisa realizada através de grupos de controle, o pesquisador conseguiu comprovar como os dois fatores podem explicar os altos índices de criminalidade violenta de adolescentes no Brasil.
Dedicando especial atenção à subcultura delinquente e à oportunidade como fatores determinantes da criminalidade, a teoria apresentada por Vianna vem servindo de base para discussões nos Estados Unidos e entre criminólogos do mundo todo, oferecendo fundamento para se repensar o papel da família e da escola na prevenção do crime.
Durante o encontro anual, além de apresentar seu trabalho, Vianna conheceu as pesquisas mais atuais que estão sendo desenvolvidas nas áreas de criminologia, segurança pública e polícia. Também visitou diversas agências policiais americanas e conheceu museus e centros de estudos voltados para a segurança pública.
Em breve, algumas fotos e artigos sobre as visitas serão postadas neste blog.

domingo, 1 de abril de 2012

"10 ideias para uma Curitiba melhor" da Gazeta do Povo tem participação do Delegado Rafael Vianna

O Jornal Gazeta do Povo, de 31/03/2012, presenteou Curitiba com 10 ideias que podem ajudar a cidade. Conhecida pela inovação, Curitiba perdeu nos últimos anos a capacidade de projetar o futuro. Para estimular novamente o espírito criativo da cidade, a Gazeta do Povo ouviu especialistas e selecionou dez projetos que poderiam transformar a realidade da capital.
Na área de segurança, foi escolhida a ideia Vizinhança Segura, trazida pelo Delegado Rafael Vianna em seu livro Diálogos sobre Segurança Pública.
Incentivador da participação da sociedade na segurança pública, Rafael Vianna conversou com a Gazeta do Povo sobre como mudanças comportamentais e atitudes simples podem influenciar e melhorar a segurança pública. 
A reportagem completa pode ser lida no site do Jornal: 

10 IDEIAS PARA UMA CURITIBA INOVADORA
31/03/2012
Por Gabriel Azevedo

Ao longo de muitos anos, referir-se a Curitiba trazia à cabeça, invariavelmente, um adjetivo: a capital já foi a moderna, a universitária, a ecológica, a limpa e a civilizada. Por trás dos diversos atributos colecionados pela cidade nos seus 319 anos há uma única essência, a busca pela inovação. O transporte público e os programas de reciclagem de lixo foram iniciativas ousadas que trouxeram fama e notoriedade.
Entretanto, nos últimos anos, a capacidade de projetar o novo se perdeu ou se desvirtuou. Para estimular novamente o espírito criativo da cidade, a Gazeta do Povo ouviu especialistas de cinco áreas e selecionou dez projetos que, se adotados, poderiam transformar a realidade da capital paranaense. Afinal, a inovação impulsiona os curitibanos desde 1693.
1 - Conectada
Seguir o exemplo de Seul, na Coreia do Sul, onde a prefeitura instalou antenas de wi-fi em 360 parques, 3,2 mil cruzamentos e 2,2 mil ruas em torno de centros comerciais seria uma das inovações mais radicais que a cidade poderia fazer, segundo a blogueira Bia Kunze, autora do blog Garota Sem Fio. Na opinião dela, além de ser uma enorme contribuição para a educação, a internet gratuita e sem fio resolveria muitos problemas de serviço. “Tudo pode ser feito pela internet, da retirada de documentos a boletins de ocorrência. Isso diminuiria as filas”, diz.
Ela defende que a prefeitura comece oferecendo a conexão livre em espaços estratégicos. “A inovação poderia começar pelas bibliotecas públicas, escolas municipais, praças e parques”, diz.
2 - Talentosa
Criar um conceito de educação facilitaria o descobrimento e o desenvolvimento de novos talentos. Para o consultor educacional Renato Casagrande, um projeto que descobrisse alunos talentosos e suas habilidades, oferecendo a eles acompanhamento de mentores de diferentes áreas do conhecimento seria um projeto e tanto para a cidade. A iniciativa deveria envolver o poder público, empresas e a sociedade civil e teria como foco o ensino infantil em escolas públicas. Para desenvolver e ampliar as habilidades, o aluno seria submetido a treinamentos. “Além das disciplinas escolares, ele teria contato com cultura geral, curso de línguas e lógica. Ele ampliaria a visão de mundo”, conta. “No futuro, seriam eles quem iriam desenvolver as inovações para Curitiba”, garante.
3 - Saudável
Trocar o pé de moleque por maçã, cerveja por suco de mamão, coxinha por salada. A ideia da coordenadora de Nutrição da Universidade Tuiuti do Paraná, Priscila Dabaghi Barbosa, para tornar a cidade mais saudável é proibir a comercialização de doces, frituras e álcool em espaços públicos, como parques e terminais de transporte coletivo. Ela também defende a proibição do consumo de cigarros nesses locais. Para a professora, Curitiba seria pioneira ao adotar tais medidas. “Em vez de beber cerveja, as pessoas beberiam suco nos parques. Com incentivo, seriam criados quiosques com frutas no centro, nos parques e nas ruas”, diz.
4 - Descentralizada
Apontada por urbanistas como uma das possíveis soluções para o problema de trânsito da capital brasileira mais motorizada do país, a descentralização é uma alternativa viável para evitar que os moradores do Cabral, Xaxim e Jardim Social tenham de se deslocar todos os dias, ao mesmo tempo, para o centro da cidade.
Com a formação de pequenos centros em diversas regiões de Curitiba, que ofereçam um conjunto de serviços e oportunidades (comerciais, culturais, de lazer, de trabalho, de saúde, serviços públicos), os grandes deslocamentos de carro tornariam-se desnecessários. Para André Caon, que também é presidente da Sociedad Peatonal – uma ONG de defesa dos pedestres –, a criação de uma Curitiba polinuclear favoreceria a caminhabilidade.
5 - Integrada
Implantado em 2003, o sistema de bilhetagem eletrônica de Curitiba poderia ser muito mais inovador do que apenas um cartão eletrônico que armazena créditos de passagens a serem usados na Rede Integrada de Transporte. Ele poderia ser usado para a integração temporal. De acordo com engenheiro eletricista André Caon, coordenador do Fórum de Mobilidade Urbana de Curitiba, após pagar a passagem, o cartão-transporte de Curitiba poderia ficar habilitado por 120 minutos. “Nesse período, o usuário poderia viajar sem precisar ir aos terminais de ônibus, encurtando a viagem, reduzindo a superlotação de ônibus e terminais e gerando economia ao sistema”, diz. Atualmente, a integração temporal beneficia apenas 600 pessoas, no Santa Quitéria e Vila São Pedro, na Linha Verde.
6 - Pontual
Fazer com que os doentes crônicos se conscientizem de tomar os medicamentos todos os dias tem efeitos tanto na saúde desses pacientes quanto nos gastos públicos. Segundo o médico infectologista José Luís Andrade Neto, professor da UFPR e da PUCPR, a busca ativa poderia ajudar a resolver esse problema. Equipes técnicas monitorariam todos os doentes crônicos e identificariam quem toma ou não o remédio. Na busca ativa, os suspeitos de não estar tomando os medicamentos direito seriam visitados por técnicos. “O profissional verificaria a cartela e assistiria a tomada do remédio”, diz.
7 - Monitorada
Para atingir a paz no trânsito, uma ideia seria colocar em uso um equipamento já utilizado em algumas cidades brasileiras, a ViaPK – um veículo com tecnologias de fiscalização e monitoramento eletrônico. Essa pode ser uma solução para evitar mortes e vítimas de acidentes na capital paranaense. O equipamento tem um sistema de leitura automática das placas de veículos em movimento, que permite identificar carros com débitos de IPVA, licenciamento e multas, além daqueles roubados e clonados. De acordo com o analista de sistemas e gestor de produtos da Perkons, Ricardo Simões, esse sistema permite realizar blitze abordando apenas os carros com aqueles problemas. “Fiscalização rápida e eficaz”, diz.
8 - Segura
Inovação não implica apenas a utilização de tecnologias avançadas e ideias futuristas. Muitas vezes o mais eficaz é algo simples e criativo. Em Curitiba, 15 ruas em sete bairros têm sirenes, que são acionadas, por controle remoto, quando há a suspeita de um delito. A iniciativa derrubou os índices de criminalidade nesses locais. De acordo com o delegado Rafael Vianna, autor do livro Diálogos Sobre Segurança Pública, iniciativas como a instalação de sirenes são inovadoras, e podem resolver o problema da segurança. “Esses projetos estimulam as pessoas a pensarem sobre segurança, a descobrirem as fragilidades do seu bairro e rua. E nada pode ser feito se não houver a união da vizinhança”, explica.
9 - Econômica
Embora seja notoriamente conhecida por seu tempo nublado, Curitiba poderia ser a primeira do Brasil, e uma das poucas do mundo, a ter a maioria das residências, prédios públicos, praças, estações-tubo, abastecidos por energia solar. A iniciativa já foi adotada no Parque Barigui. De acordo com Hewerton Martins, presidente da Solar Energy, empresa que desenvolve projetos e produtos vinculados aos sistemas solares fotovoltaicos, energia solar é o futuro, e a cidade seria inovadora se adotasse um modelo mais “limpo” e renovável e que, segundo ele, está cada vez mais barato.
10 - Preservada
Reservar espaços urbanos para o meio ambiente e criar um corredor de biodiversidade, integrando parques e reservas ambientais. Com o avanço do mercado imobiliário, as áreas verdes de Curitiba, aos poucos, têm sido reduzidas. Para a capital inovar, diz Terezinha Vareschi, vice-presidente da Associação dos Protetores de Áreas Verdes de Curitiba, é necessário criar Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal (RPPNMs). Ela diz que os proprietários das áreas verdes têm pouco conhecimento sobre o assunto e a contrapartida do poder público não é suficiente. “Só o potencial construtivo não vai convencer os proprietários a criarem reservas”, diz. Segundo Terezinha, Curitiba tem 700 áreas verdes que poderiam ser transformadas em RPPNMs.