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domingo, 1 de setembro de 2013

“É preciso entender as causas por trás do comportamento violento” - entrevista com Padma Samten

Entrevista publicada na Gazeta do Povo, por Rodrigo Wolff Apolloni.

Foto: André Rodrigues
 
Físico quântico, professor universitário, filósofo, cicloativista e líder do Budismo Tibetano no Brasil. Alfredo Aveline – ou melhor, o lama Padma Samten – é, principalmente, um devoto da paz. Na contracorrente das opiniões recentes sobre as formas de aumentar a segurança no país, ele não defende o endurecimento das medidas repressivas, mas a investigação e a superação das causas internas da violência. Recentemente, ele esteve em Curitiba para ministrar uma palestra no Conselho Parlamentar de Cultura da Paz do Paraná, o ConPaz. Nesta entrevista, ele fala sobre a contribuição do pensamento budista para a redução da violência.
Nos últimos meses, a sociedade brasileira se aproximou da ideia de reduzir a maioridade penal. Para muitas pessoas, a medida inibiria a criminalidade entre os mais jovens. Como o senhor vê a questão?
Reduzir ou não reduzir a maioridade penal não vai fazer grande diferença. Em nossa época, as crianças de 10 anos são seres muito lúcidos. Elas entendem as coisas, dão palpites, são criativas, são ótimas. Aos 16, então, essa compreensão é muito maior. O problema, porém, não reside aí: o fato é que a penalização, o encarceramento, não funciona em nenhuma idade, seus resultados são frágeis e danosos. Essa é a questão principal.
Diante dessa perspectiva, qual seria a solução?
É preciso entender o que leva um jovem ou qualquer pessoa a agir de forma negativa. Nós não temos uma compreensão profunda sobre como esses processos ocorrem. Condenar uma pessoa equivale, no Budismo, a “dar nascimento negativo”, ou seja, imprimir um caráter, dar uma identidade ruim. Se nós tomarmos essas pessoas e as ligarmos à perspectiva de que vão agir sempre de forma criminosa, não teremos a possibilidade de ver como elas poderiam sair desta paisagem mental negativa. É preciso saber como se ligaram a essa paisagem mental que faz com que pensem que suas ações são favoráveis. Nenhuma ação negativa é satisfatória para quem a pratica: a pessoa fica envergonhada, percebe a tristeza que provoca em seus semelhantes e sabe que o resultado é insatisfatório. Que se esvai e provoca sofrimento. Nós estamos muito preocupados com a violência porque ela nos afeta enormemente, mas precisamos compreender o tema a partir de mais perspectivas, perceber todos os fatores envolvidos e trabalhar com cada um deles. A prisão de uma pessoa não significa que ela vá mudar, e que os aspectos de sua mente não serão copiados por outras pessoas. Se não houver essa compreensão, vamos continuar encarcerando pessoas e os problemas não serão resolvidos.
As instituições não dão conta de forjar uma sociedade baseada na paz. O foco, aliás, está na violência e na punição. Como modificar esse quadro?
Iniciativas como a do Conselho Parlamentar pela Paz do Paraná, o ConPaz, são louváveis. Elas se encarregam de localizar, nas tradições filosóficas e religiosas, na cultura, elementos que contribuam para mudar as coisas. São capazes de detectar os elementos sutis que determinam o atual cenário de violência. É espantoso perceber o quanto ações violentas cometidas em outros países contaminam a nossa sociedade. As coisas acontecem lá e, de repente, começam a pipocar aqui. Ou, então, ações inacreditáveis que surgem entre nós e que, de repente, se repetem. Detectar esse processo é fundamental para superar a violência. Um exemplo: se você examinar a programação televisiva, vai perceber o quanto somos bombardeados por coisas negativas. Eu tenho filhos pequenos e fico abismado ao ver o grau de violência nos desenhos animados – eles invariavelmente ensinam a ultrapassar os limites do bom senso e a fazer o que não deve ser feito. Os personagens são explodidos e, de repente, retornam ilesos, ou seja, não há problema em explodir o outro. Fica a lição da impunidade, de que é possível fazer tudo sem arcar com as consequências. A coisa não se resolve pela censura, mas pela percepção da origem dessas disposições negativas, desse adoecimento coletivo.
É possível localizar uma causa central para o atual estado de coisas no mundo?
Tenho para mim que as coisas passam pelo processo econômico, que é ilusório e insatisfatório em si mesmo. Mesmo que as pessoas comprem tudo o que desejam, elas seguem deprimidas, doentes. Se o poder econômico trouxesse felicidade, as pessoas ricas estariam imunes à tristeza, o que não acontece. Ou seja: o processo econômico, tal como o concebemos, não dá conta de resolver os problemas; não só não dá conta, como aprofunda a crise em termos planetários. Tomemos como exemplo a China, que se tornou uma potência econômica e uma espécie de “modelo a seguir”. Hoje, das 30 cidades mais poluídas do mundo, 20 são chinesas. Esse “progresso” é perverso, e começa a produzir respostas dentro da própria sociedade, que passa a se opor à instalação de complexos industriais.
Ou seja, também existem elementos positivos emergindo do cenário...
Sem dúvida. Um sinal disso é a percepção crescente de que o PIB já não é o melhor referencial de riqueza. Esse índice, aliás, deve perdurar por mais algum tempo e ser substituído por outro, que contemple fatores como a felicidade. Isso é muito importante, porque mostra que o referencial econômico, sozinho, não dá conta da realidade, e que é preciso buscar o referencial humano.
O Budismo Tibetano, tradição religiosa da qual o senhor é um líder, sofreu com a violência praticada no contexto da invasão chinesa ao Tibete. Que lições extraiu desse episódio?
É interessante perceber como as coisas evoluem. Meu mestre Chagdud Rinpoche [1930 – 2002] perdeu tudo quando o Tibete foi invadido. Perdeu a esposa, a família, as propriedades. Fugiu para o Nepal por montanhas geladas, chegou lá muito enfraquecido e, no processo, quase morreu ao cair em um rio de montanha. E, sem nenhum bem, começou uma nova trajetória. Viveu na Índia, veio aos Estados Unidos e, depois, instalou-se no Brasil, onde impulsionou a difusão do Budismo Tibetano. Um caminho semelhante foi trilhado por sua santidade, o Dalai Lama. Esses mestres enriqueceram a cultura ocidental, em especial porque trouxeram uma compreensão diferenciada da mente, uma percepção sutil que, atualmente, é percebida como importante. A cultura budista nos enriquece porque nos faz perceber que o mundo exterior é inseparável de nossas dimensões internas, e que a mudança do mundo passa por mudanças em nossa própria mente, em nossa própria percepção. Os chineses, então, têm esse “mérito”: de chacoalhar toda a estrutura do Budismo Tibetano, de sacudir todos os mestres como se sacudissem uma árvore frondosa – e de, com isso, espalhar flores e frutos por uma área muito maior. Com isso, os mestres precisaram dar conta de algo diferente, não só de preservar as próprias tradições, mas de fazer com que o mundo delas se beneficiasse. 

domingo, 11 de agosto de 2013

Delegado Rafael Vianna aproveita lançamento do livro "Resgate Vertical" para descer de rapel os 100 metros da Torre da Telepar


O Capitão Eduardo José Slomp Aguiar, do Corpo de Bombeiros do Paraná, lançou seu primeiro livro, "Resgate Vertical", que reúne informações sobre técnicas nacionais e internacionais de resgate.
Instrutor na área de salvamento e resgate vertical, Eduardo atua hoje como um dos colaboradores da Secretaria de Grande Eventos, do Ministério da Justiça, na elaboração de protocolos operacionais para resposta a incidentes.
 

Durante o lançamento do livro, que ocorreu na famosa Torre Panorâmica de Curitiba ou Torre da Telepar (http://www.curitibacity.com/mirantes/76-torre-da-telepar.html), ocorreu uma demonstração de rapel, oportunidade em que o Delegado Rafael Vianna também pode descer os 100 metros da Torre.
 
  
Outras informações e fotos do lançamento podem ser vistas no site da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná:
 
O livro pode ser adquirido pelo site da Associação da Vila Militar (AVM): www.avmpmpr.com.br

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ORQUESTRA SINFÔNICA DO PARANÁ - Por Rafael F. Vianna


Eu preciso da ordem de uma orquestra para demonstrar a não inevitabilidade do caos no mundo. Eu preciso de tempos em tempos parar para ouvir e ver muitas coisas improváveis darem certo para acreditar na vida humana em sociedade.

Um concerto é, provavelmente, o mais próximo de uma sociedade e uma vida ideal. Todos juntos, sem nenhum destaque, mas todos se destacando por sua arte e seu dom. Cada qual sabendo seu papel, onde muitos detalhes podem não dar certo, mas a harmonia acontece, sem muitas discussões ou desatinos, ainda que com tudo diferente. Há dias de calmaria, outros de trovoadas, mas sempre há harmonia, mesmo quando nosso espírito não encontra a paz. Um concerto não é explicável para quem nunca ouviu ao vivo uma orquestra sinfônica, e é por isso que todos deveriam ir um dia.

A Orquestra Sinfônica do Paraná se apresenta periodicamente no Teatro Guaíra, muitas vezes domingo de manhã, com entrada franca. Todos deveriam ir alguma vez na vida, para entender do que eu falo. Mesmo quem não gosta de música clássica pode observar como as coisas dão certo, mesmo com tudo para dar errado. O gênio humano supera o caos e isso nos faz acreditar na vida, mesmo diante de tantas tragédias inexplicáveis.

Eu realmente preciso assistir a uma orquestra para que a incerteza e a incompletude do mundo não dominem os meus dias, para que eu possa acreditar – assim como acredito quando observo a natureza e sua harmonia bestial – que para todo caos existe uma explicação e que um caminho é traçado em alguma dimensão ou sentido que ainda não consigo compreender.

Quando estou diante de uma orquestra deixo de questionar muitas coisas, ainda que tudo isso passe ao final do espetáculo. Logo volto a perguntar: se Deus é onipotente e onisciente, capaz de atuar no mundo e na vida das pessoas, como pode permitir que pessoas boas e virtuosas sejam vítimas de crimes violentos e atrozes ou de tragédias indescritíveis? Quase sempre é melhor não pensar, não ir tão fundo na alma humana. Queria ter medo de perguntar.

Os músicos da Orquestra Sinfônica do Paraná não sabem o bem que fazem, as provas que propiciam, a paz e esperança que criam. Ouvir uma orquestra é deixar a desordem do mundo e ver que a vontade humana supera o caos e compreende Deus. Obrigado por isso!

domingo, 21 de julho de 2013

Professor Maurício Dieter lança livro

O professor Maurício Dieter, mestre e doutor pela Universidade Federal do Paraná e meu amigo de longa data, lançou seu primeiro livro: Política Criminal Atuarial - a criminologia do fim da história.
Recomendo a leitura de seu livro, pois Maurício Dieter possui ideais nobres e uma visão à frente de nosso tempo, além de ser uma das mentes mais privilegiadas que conheço. É um humanista e uma grande pessoa.
Abaixo mais algumas opiniões sobre o livro e um resumo do curriculum vitae do autor:
 
“O texto sintetiza extraordinário domínio teórico sobre a economização da Política Criminal e todos os seus tecnicismos com a defesa sincera e intransigente dos direitos humanos. Por isso, o livro de Maurício Dieter deve ser lido por todos os interessados:
- na realidade do sistema de justiça criminal;
- nas idéias sobre o possível futuro das estratégias de controle social;
- em trazer mais justiça para o que se chama hoje, equivocadamente, de sistema de justiça criminal”
Prof. Dr. Sebastian Sheere
Diretor do Institut fur Kriminologische Sozialforschung da Hamburg Universitat
“(...) o leitor tem em mãos um livro indispensável, que ajudará os operadores democráticos e progressistas do sistema penal a se unirem no repúdio a uma tendência que consolida o que houve de mais arbitrário, cínico e desumano na política criminal ocidental moderna.”
Prof. Dr. Nilo Batista
Professor titular de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Sobre o autor
Maurício Stegemann Dieter, Doutor e Mestre pela Universidade Federal do Paraná com estágio de pesquisa doutoral da Hamburg Universitat. É também Especialista em Direito Penal e Criminologia pelo Instituto de Criminologia e Política Criminal e pesquisador do Max-Planck-Institut fur auslandiches und internationales Strafrecht, em Freiburg.
Advogado criminalista, leciona direito Penal nos cursos de graduação em Direito da UniCuritiba e da Universidade de Passo Fundo e na Pós-Graduação do Instituto de Criminologia e Política Criminal, da Academia Brasileira de Direito Constitucional, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e dos cursos Jurídico e LFG. Membro do Instituto de Advogados do Paraná, atualmente cursa o Pós-doutorado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Delegado Rafael Vianna profere palestra no NPSPP da Universidade Tuiuti


Na abertura do "III Seminário Nacional do Núcleo de Pesquisa em Segurança Pública e Privada (NPSPP), da Universidade Tuiuti do Paraná/Cursos de Pós-graduação e Extensão nas áreas de Segurança, Direito e Educação, o Delegado Rafael Vianna proferiu a conferência "Direito e Segurança Pública: uma visão multidisciplinar", junto com o Delegado de Polícia Federal e Doutor em Direito Carlos Roberto Bacila.
Aproximadamente 400 pessoas assistiram ao evento.
 

O Núcleo de Pesquisa em Segurança Pública e Privada da UTP - além da realização de seminários, conferências e mesas de discussão - oferece diversos cursos de pós-graduação e de extensão (http://npspp.utp.br/).

sábado, 15 de junho de 2013

Delegado Rafael Vianna preside mesa na palestra de Orlando Zaccone

 
Durante o I Congresso Internacional em Ciências Criminais - "A Crítica Criminológica ao Direito Penal", realizado pelo Centro Universitário Curitiba - UNICURITIBA, o Delegado Rafael Vianna presidiu a mesa durante a palestra "Pacificação da Morte: autos de resistência e homicídio coletivo no Rio de janeiro", proferida pelo Professor e Delegado de Polícia Civil do Rio de Janeiro Orlando Zaccone.
Zaccone também é autor do livro "Acionistas do nada: quem são os traficantes de drogas" e seu trabalho já foi citado em outras postagens deste blog:
 
 

O Coordenador do Congresso foi o Professor Doutor Maurício Dieter e a palestra também contou com a participação do Delegado de Polícia Civil do Paraná Guilherme Rangel.
 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Delegado Rafael Vianna profere palestra na Faculdade de Jornalismo da Unochapecó

 
O Delegado Rafael Vianna ministrou palestra e autografou livros para os estudantes de jornalismo da Unochapecó, Universidade Comunitária da Região de Chapecó, que tem aproximadamente 8 mil alunos, nos mais variados cursos.
Durante o evento, Rafael Vianna apresentou sua teoria sobre as três grande áreas da segurança pública, discutiu a relação da polícia com a mídia e debateu com alunos e professores sobre a melhor atuação do jornalista que trabalha com a área da segurança pública.
 
 
A palestra fez parte do XII Seminário de Atualidades, que teve como tema "Segurança Pública: responsabilidade de quem?", disponível em http://www.unochapeco.edu.br/jornalismo/noticias/jornalismo-abre-inscricoes-para-seminario-de-atualidades